Thursday, May 08, 2014

à procura de uma identidade perdida



Preciso urgentemente que me prendas de forma definitiva a ti. Dá-me real, dá-me estrutura, estou a despedaçar-me toda por dentro. Tento recuperar-me, mas em vao…
Perdi-me algures, já so me lembro de alguns episódios, uns vagos, outros longiquos, outros de tal modo dilacerantes que prefiro nem recordar!
Sou tua e no entanto não sou de ninguém. Nem mesmo minha. E é isso que odeio!! Porque sempre gostei de ser tanto eu que era tua, mas afinal parece que não o sou, porque não sou nada.

Sim, faz-me tua para ser alguém. Por favor, va laaaa. Recorda-me o meu cheiro ao menos. Não custa assim tanto. Por favor. Qual era o meu escritor preferido? E o que é que eu dizia sempre que chegávamos a casa estafados, ainda te lembras? Imploro-te que me abraces, recheando-me de mim, de nós, de ti, meu amor. So sei que te amo e nada mais. Mas como é possível amar-te se nem eu mesma sei quem sou?

Sou tanta coisa e não sou ninguém. Sou um condensado de relações passadas, de acontecimentos que poderiam ter acontecido mesmo que nunca se tenham realizado. Sim, sem dúvida: sou muito mais o que poderia ter sido do que tudo aquilo que efectivamente fui. E revejo-me muito mais também em tudo o que ainda poderia vir a ser do que o pouco que vou sendo. 

Que raio de identidade, esta. Ontem ainda era alguém, mas hoje sou nuvem e não há maneira de o deixar de ser, porque pressinto que amanha serei saudade. E pensar que tenho nostalgia de mim mesma… é tramado.

1 comment:

blank said...
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